Se você recebeu uma mensagem no WhatsApp dizendo que existe uma "pendência" no registro da sua marca e que é preciso pagar para resolver, pare antes de fazer qualquer coisa. O golpe do INPI no WhatsApp tem se espalhado entre donos de pequenas e médias empresas justamente porque usa um medo real: o de perder a marca por não ter cumprido alguma exigência. A boa notícia é que o INPI não cobra pendências por WhatsApp, e identificar essa fraude é mais simples do que parece quando você sabe o que procurar.
Esse tipo de golpe cresce junto com o aumento de pessoas registrando marcas no Brasil. Quanto mais empreendedores novos entram nesse processo — muitos pela primeira vez — mais espaço existe para quem tenta se aproveitar da falta de familiaridade com os trâmites oficiais.
Como funciona o golpe na prática
O golpista geralmente entra em contato pelo WhatsApp se identificando como funcionário do INPI, de um "departamento jurídico" ou até de um escritório terceirizado que supostamente presta serviço para o instituto. A mensagem costuma seguir um roteiro parecido:
- Um aviso de que o pedido de registro está com alguma irregularidade ou "pendência documental".
- A informação de que, se não for resolvida em poucos dias, o pedido será arquivado ou a marca será indeferida.
- Um link para "regularizar" a situação ou um número de conta para pagamento de uma taxa urgente.
- Linguagem de urgência, com prazos curtos e tom ameaçador, para que o empresário não tenha tempo de checar a informação com calma.
Em muitos casos, o criminoso já tem dados básicos do processo — nome da empresa, número do pedido, classe de produtos ou serviços. Isso não significa que ele invadiu o sistema do INPI. Essas informações costumam ser públicas, disponíveis na própria busca do instituto, e são usadas justamente para dar credibilidade à abordagem.
Por que esse golpe funciona tão bem
Quem está no meio do processo de registro de marca normalmente já está ansioso esperando uma resposta. Receber uma mensagem dizendo que há um problema mexe direto com essa expectativa. Some isso à pressa do dia a dia de quem administra um negócio pequeno, e fica fácil entender por que tantas pessoas caem nessa armadilha sem checar antes.
Esse mesmo padrão aparece em outras variações da fraude, como mensagens dizendo que a marca está sendo contestada por terceiros ou cobranças disfarçadas de boleto bancário enviadas por e-mail.
Sinais claros de que a mensagem é falsa
Existem alguns pontos que praticamente sempre aparecem nesse tipo de golpe e que servem como alerta imediato.
Cobrança fora dos canais oficiais. O INPI não solicita pagamentos por WhatsApp. Toda cobrança relacionada ao processo de registro passa pelo sistema oficial do instituto, com guias geradas diretamente na área do usuário.
Urgência artificial. Frases como "resolva em 24 horas" ou "último aviso antes do cancelamento" são usadas para impedir que você pense com calma ou procure uma segunda opinião.
Pedido de dados sensíveis. Solicitar senha, código de acesso ao sistema do INPI ou dados bancários completos por mensagem é um sinal vermelho imediato.
Links estranhos. Endereços que parecem com o site do INPI mas têm pequenas diferenças no domínio — letras trocadas, extensões diferentes de ".gov.br" — são praticamente uma assinatura do golpe.
Número de telefone pessoal. O contato geralmente vem de um número comum de celular, sem identificação institucional verificável, muitas vezes com foto de perfil genérica ou até com logo copiado do instituto.
O que fazer se você receber essa mensagem
O primeiro passo é não responder nem clicar em nenhum link enviado. Qualquer interação, mesmo que pareça inofensiva, pode confirmar ao golpista que o número está ativo e que você está mais propenso a continuar a conversa.
Depois, confirme a situação real do seu pedido diretamente no site oficial do INPI (gov.br/inpi), usando o número do processo que você mesmo já possui. Se houver qualquer pendência de verdade, ela vai aparecer lá, com a descrição exata do que precisa ser feito. Isso é parecido com a orientação para quem recebe avisos suspeitos sobre andamento do registro no INPI — a consulta oficial sempre deve ser a fonte final de verdade.
Se você contratou um escritório ou profissional para cuidar do processo, entre em contato direto com essa pessoa antes de tomar qualquer atitude. Quem acompanha seu pedido de perto sabe exatamente em que etapa ele está e consegue confirmar rapidamente se existe alguma pendência legítima.
Bloqueie e denuncie
Depois de confirmar que se trata de fraude, bloqueie o número no WhatsApp e denuncie a conversa pelo próprio aplicativo. Isso ajuda a reduzir o alcance do golpista e pode contribuir para que o número seja banido mais rápido.
Vale também avisar outras pessoas do seu setor ou rede de contatos, principalmente se você participa de grupos de empreendedores. Esse tipo de alerta se espalha rápido e evita que outros caiam na mesma armadilha.
Diferenças entre comunicação real do INPI e golpe
Para deixar mais claro na prática, veja um comparativo simples:
| Situação | Comunicação oficial do INPI | Golpe |
|---|---|---|
| Canal usado | Sistema próprio, e-mail institucional com domínio gov.br | WhatsApp com número pessoal |
| Cobrança | Guia gerada no sistema, sem link externo duvidoso | Link suspeito ou pedido de PIX/transferência |
| Prazo | Informado dentro do processo, sem pressão artificial | Urgência extrema, poucas horas |
| Tom da mensagem | Técnico, neutro | Ameaçador, alarmista |
| Pedido de dados | Nunca pede senha por mensagem | Solicita login, senha ou dados bancários |
Essa tabela serve como referência rápida, mas o ponto central continua o mesmo: desconfie de qualquer cobrança que não venha pelos canais oficiais do instituto.
Por que esse golpe cresce junto com o aumento de registros
O volume de pedidos de registro de marca no Brasil vem aumentando de forma consistente, puxado principalmente por microempreendedores individuais e pequenos negócios que estão formalizando suas marcas pela primeira vez. Esse crescimento, discutido em detalhes no artigo sobre o boom de MEIs e a corrida pelo registro de marca, também amplia o público-alvo dos golpistas.
Quanto mais pessoas sem experiência prévia entram nesse processo, maior a chance de alguém cair numa abordagem bem construída. Por isso, entender o passo a passo real do registro — como descrito no guia de registro de marca no INPI — ajuda a reconhecer rapidamente quando algo foge do padrão esperado.
Outras fraudes parecidas que também circulam
O golpe do WhatsApp não é o único disfarce usado por criminosos que miram quem está no meio de um processo de registro. Também é comum encontrar:
- Boletos falsos enviados por e-mail logo depois da abertura de um CNPJ, como detalhado no artigo sobre o boleto falso mirando CNPJ de MEI novo.
- E-mails avisando que a marca está sendo contestada por terceiros, pedindo pagamento urgente para "defesa" do processo.
- Mensagens genéricas pedindo renovação antecipada fora do prazo real de vencimento do registro de marca.
Todos seguem a mesma lógica: criar urgência, usar linguagem técnica para parecer legítimo e pedir pagamento fora dos canais oficiais.
Como proteger sua empresa de forma mais ampla
Além de reconhecer o golpe pontual, vale adotar alguns hábitos simples que reduzem o risco de cair em qualquer fraude relacionada ao registro de marca.
Mantenha o acesso ao sistema do INPI sempre atualizado e guarde o número do processo em local de fácil consulta. Assim, qualquer mensagem recebida pode ser checada em minutos, sem depender de terceiros.
Evite divulgar publicamente detalhes excessivos do andamento do seu pedido em redes sociais, já que isso facilita a construção de abordagens personalizadas por parte de golpistas.
Se você trabalha com um especialista para cuidar do registro, estabeleça um canal direto de confirmação — um e-mail ou telefone já conhecido — para checar qualquer cobrança estranha antes de agir.
Conclusão
O golpe do INPI no WhatsApp cobrando uma suposta "pendência" no registro de marca aposta na pressa e no medo de perder um processo que já consumiu tempo e dinheiro. Reconhecer os sinais — cobrança fora dos canais oficiais, urgência exagerada, pedidos de dados sensíveis e links suspeitos — é o primeiro passo para não cair nessa armadilha.
Sempre que receber uma mensagem desse tipo, confirme a situação real do seu pedido diretamente no site oficial do INPI antes de qualquer pagamento. Na dúvida, o caminho mais seguro é sempre a fonte oficial, nunca o link enviado por mensagem.

