Um balanço divulgado pelo próprio instituto mostra que o INPI recebeu quase 505 mil pedidos de registro de marca ao longo de 2025, o maior volume já registrado em um único ano no Brasil. O número confirma uma tendência que já vinha aparecendo nos últimos balanços: cada vez mais empreendedores brasileiros estão entendendo que abrir um CNPJ não é suficiente para proteger o nome do negócio. Para quem ainda não deu esse passo, o recorde é também um aviso — a corrida pelos melhores nomes está mais concorrida do que nunca.

Esse crescimento não é um fenômeno isolado. Ele reflete mudanças no perfil de quem empreende no país, no comportamento dos consumidores e até na forma como o próprio INPI vem se organizando para dar conta da demanda. Neste artigo, vamos entender o que está por trás desse recorde e, principalmente, o que ele muda na prática para quem tem uma pequena ou média empresa.

O que o balanço do INPI mostra

Os números divulgados pelo instituto indicam um crescimento consistente no volume de pedidos de marca nos últimos anos, com 2025 superando todos os períodos anteriores. Esse movimento acompanha o aumento expressivo de novos CNPJs abertos no país, especialmente entre microempreendedores individuais.

Não é coincidência. Quanto mais gente abre empresa, mais gente eventualmente descobre — às vezes tarde demais — que o nome escolhido pode já estar em uso por outra marca registrada. O resultado é uma busca crescente por segurança jurídica logo no início da operação, e não apenas quando o negócio já está consolidado.

Vale reforçar que os valores exatos de crescimento percentual, prazos de análise e metas internas do INPI podem variar de balanço para balanço. Para números atualizados e oficiais, o caminho mais seguro é sempre consultar diretamente o site do instituto, no gov.br/inpi.

Quem está puxando esse crescimento

Um fator importante nesse recorde é o avanço do número de microempreendedores individuais registrando marca. Esse público, que antes via o registro como algo distante da realidade de um pequeno negócio, passou a enxergar a proteção da marca como parte do planejamento inicial da empresa — não como um luxo reservado a grandes companhias.

Esse movimento já havia sido detalhado em outro material do blog, que mostra como o MEI já domina boa parte dos pedidos de marca no INPI. O crescimento contínuo desse grupo ajuda a explicar por que os números batem recorde ano após ano.

Outro público em expansão é o de lojistas digitais e vendedores de marketplace, que percebem na marca registrada uma forma de se diferenciar em plataformas cada vez mais concorridas. Esse fenômeno já pressionou inclusive as cotas de trâmite prioritário para marketplaces, que esgotaram rapidamente em períodos recentes.

Por que esse recorde importa para o seu negócio

Quando o volume de pedidos cresce tanto, duas coisas acontecem ao mesmo tempo — e nenhuma delas é boa notícia para quem ainda não registrou a própria marca.

A primeira é o aumento da concorrência por nomes. Quanto mais empresas registram marcas, menor fica o espaço para escolher um nome totalmente livre, principalmente em segmentos populares como alimentação, beleza, moda e serviços digitais. Um nome que parecia disponível há um ano pode já ter sido registrado por outra empresa.

A segunda é a pressão sobre os prazos de análise. Com mais pedidos entrando no sistema, o INPI precisa lidar com um volume maior de exames, o que pode impactar o tempo até a decisão final sobre cada processo. Quem já entendeu esse cenário sabe que quanto tempo demora o registro de marca no INPI é uma pergunta cada vez mais relevante no planejamento de qualquer negócio.

O risco de esperar para registrar

No Brasil, vale o princípio de que quem registra primeiro tem o direito sobre a marca, independentemente de quem começou a usá-la antes no dia a dia. Isso significa que, em um cenário de recorde de pedidos, esperar para regularizar a situação pode custar caro.

Já existem casos recorrentes de empresas que usam um nome por anos, constroem clientela e reputação local, e depois descobrem que outra empresa registrou a mesma marca antes. O tema foi tratado com detalhes em quem registra primeiro tem o direito à marca, um dos assuntos mais buscados por quem já foi pego de surpresa.

Com o volume de pedidos batendo recorde, a chance de alguém "chegar primeiro" no seu nome de escolha aumenta a cada mês que passa sem o registro ser feito.

Como esse crescimento afeta a análise dos pedidos

Mais pedidos não significa necessariamente mais demora — o INPI vem investindo em tecnologia e automação para acelerar etapas do exame, como mostrado em conteúdos anteriores sobre como a inteligência artificial está acelerando o exame de marcas no INPI. Ainda assim, o equilíbrio entre volume crescente e capacidade de análise é um desafio constante para o instituto.

Isso reforça a importância de fazer o pedido corretamente logo na primeira tentativa. Erros de preenchimento, classe errada ou nome muito genérico podem gerar exigências, atrasos e até indeferimentos — problemas que se tornam ainda mais frustrantes em um cenário de fila maior.

A importância da pesquisa prévia

Com mais marcas sendo registradas todos os meses, a etapa de pesquisa antes do depósito se torna ainda mais essencial. Fazer uma busca cuidadosa evita que o empreendedor invista tempo e dinheiro em um pedido que já nasce fadado ao indeferimento por colidir com uma marca anterior.

Esse processo, chamado de busca de anterioridade, é o ponto de partida recomendado antes de qualquer depósito. O tema foi explicado em detalhes em busca de anterioridade: como funciona antes de registrar, um passo que muitos empreendedores ainda pulam por acreditar que o nome "com certeza" está livre.

O que fazer diante desse cenário de recorde

Para quem tem uma pequena ou média empresa e ainda não registrou a marca, o momento pede ação, não postergação. Alguns pontos merecem atenção especial:

  • Verifique a disponibilidade do nome o quanto antes. Quanto mais tempo passa, maior o risco de outra empresa registrar algo parecido antes de você.
  • Entenda em qual classe seu negócio se enquadra. Escolher a classe errada é um dos erros mais comuns e pode comprometer toda a proteção pretendida — o assunto foi detalhado em classes de marca no INPI: como escolher a certa.
  • Evite nomes genéricos demais. Marcas muito descritivas do produto ou serviço tendem a enfrentar mais dificuldade na análise, um problema abordado em marca negada por ser genérica? veja como reverter.
  • Considere se vale a pena contar com apoio especializado. Em um cenário mais concorrido, erros no processo custam tempo — algo que muitos negócios não podem perder. Esse dilema é explorado em registrar marca sozinho ou contratar especialista?.

Setores mais afetados pela concorrência de nomes

Alguns segmentos sentem mais diretamente o impacto do aumento de pedidos, simplesmente por terem um número maior de empresas disputando nomes parecidos. Restaurantes, food trucks, salões de beleza, clínicas, lojas online e negócios ligados a influenciadores digitais estão entre os que mais registram marca atualmente — e também entre os que mais enfrentam colisão de nomes.

Se o seu negócio está em um desses setores, vale conferir conteúdos específicos, como restaurantes e food trucks: por que registrar a marca ou como registrar marca de salão ou clínica em Natal, que trazem orientações direcionadas para essas realidades.

O recorde é reflexo de um mercado mais consciente

Apesar dos desafios que o crescimento traz, o dado também tem um lado positivo: mostra que o empreendedor brasileiro está mais atento à importância de proteger o próprio nome. Isso significa menos empresas vulneráveis a cópias, uso indevido ou disputas judiciais evitáveis.

Esse amadurecimento também aparece em discussões recentes sobre agilidade no sistema, como o plano de analisar marcas sem oposição em poucas semanas, sinal de que o próprio INPI está se adaptando à nova realidade de volume.

Para o pequeno empresário, a lição prática é simples: o registro de marca deixou de ser um diferencial de quem "pensa grande" e passou a ser parte básica de qualquer planejamento de negócio sério, do MEI recém-aberto à empresa que já fatura há anos sem nunca ter formalizado a proteção do próprio nome.

Conclusão

O recorde de quase 505 mil pedidos de marca em 2025 confirma que o registro deixou de ser exceção entre pequenos negócios brasileiros. Esse crescimento aumenta a concorrência por nomes disponíveis, reforça o risco de esperar demais para regularizar a situação e torna a pesquisa prévia ainda mais importante antes de qualquer depósito. Quem entende esse cenário e age cedo tem mais chances de garantir o nome escolhido e evitar dores de cabeça no futuro.