Se você recebeu um e-mail dizendo que sua marca "está sendo contestada" e sentiu aquele friozinho na barriga, respire fundo antes de clicar em qualquer link. Esse tipo de mensagem virou uma das iscas favoritas de golpistas que miram donos de pequenas empresas justamente porque sabem o quanto uma marca registrada é importante para o negócio. A boa notícia é que, com alguns cuidados simples, dá para identificar a fraude em poucos minutos e proteger tanto seus dados quanto seu dinheiro.
Golpes envolvendo o INPI não são novidade, mas eles evoluem constantemente. Já vimos variações por boleto falso, por WhatsApp e agora essa versão mais sofisticada, que usa o medo de perder a marca para pressionar a vítima a agir rápido — e sem pensar direito.
Por que esse golpe funciona tão bem
Quem investiu tempo e dinheiro registrando uma marca sabe o valor que ela tem. Um e-mail alegando que terceiros estão "contestando" ou "impugnando" o registro mexe direto com essa preocupação.
O golpista aposta em três gatilhos emocionais:
- Urgência: o e-mail costuma dizer que você tem um prazo curtíssimo para responder, geralmente 24 ou 48 horas.
- Medo de perda: a mensagem sugere que, se você não agir, a marca será cancelada ou "tomada" por outra empresa.
- Autoridade falsa: o texto imita o vocabulário técnico usado em processos reais, com termos como "oposição", "impugnação" ou "processo administrativo".
Essa combinação faz muita gente clicar sem verificar a origem do e-mail, principalmente empresários que ainda não passaram por um processo real de oposição no INPI e não sabem exatamente como essas comunicações costumam chegar.
Como o INPI realmente se comunica
Esse é o ponto mais importante para desmontar o golpe. O INPI não trabalha com notificações urgentes por e-mail pedindo pagamento imediato ou clique em links externos para "resolver pendências".
Na prática, o andamento de qualquer processo de marca — incluindo oposições, exigências e decisões — é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI), que é o canal oficial do órgão. Quem quer saber o real status de um pedido deve consultar diretamente o sistema do INPI, e não confiar em mensagens recebidas por e-mail sem verificação.
Se você ainda não tem o hábito de monitorar seu processo, vale a pena aprender como acompanhar o andamento da marca no INPI diretamente pelos canais oficiais. Isso elimina a necessidade de depender de qualquer aviso por e-mail, verdadeiro ou falso.
O que o INPI nunca faz
Para reconhecer a fraude, é útil saber o que está fora do padrão de comunicação do órgão:
- Não envia cobranças com boletos anexados diretamente no corpo do e-mail.
- Não pede pagamento via PIX, cartão de crédito ou transferência para "resolver" contestações.
- Não usa prazos de horas — os prazos processuais reais são contados em dias, e informados através da publicação oficial.
- Não solicita dados bancários, senhas ou informações sigilosas por e-mail.
Qualquer mensagem que fuja desse padrão já é motivo suficiente para desconfiar.
Sinais claros de que o e-mail é falso
Antes mesmo de analisar o conteúdo do texto, dá para identificar boa parte dos golpes só observando detalhes técnicos da mensagem.
1. O endereço de e-mail do remetente
Golpistas costumam usar domínios parecidos com o oficial, mas com pequenas variações — trocando letras, adicionando números ou usando extensões diferentes de ".gov.br". Sempre confira o endereço completo, não apenas o nome exibido.
2. Links suspeitos
Passe o mouse sobre o link (sem clicar) e observe o endereço que aparece. Se o destino não for um domínio oficial do governo, é golpe. Em versões mais recentes desse esquema, os criminosos até criam páginas que imitam visualmente o site do INPI para capturar dados de login ou pagamento.
3. Erros de português e formatação estranha
Embora os golpes tenham ficado mais profissionais, ainda é comum encontrar erros de digitação, formatação inconsistente ou um tom de urgência exagerado que destoa da linguagem burocrática usada em comunicações oficiais.
4. Pedido de ação imediata via link externo
Esse é talvez o sinal mais confiável. Sempre que um e-mail pede que você "clique aqui para regularizar" ou "acesse o link para não perder sua marca", o ideal é ignorar o link e acessar o site oficial diretamente digitando o endereço no navegador.
O que fazer ao receber esse tipo de e-mail
Se a mensagem chegou na sua caixa de entrada, siga esse caminho antes de qualquer coisa:
- Não clique em nenhum link presente no corpo do e-mail.
- Não baixe anexos, principalmente arquivos com extensão .exe, .zip ou PDFs suspeitos.
- Confira o número do processo diretamente no site oficial do INPI, usando a busca pública de marcas.
- Compare com comunicações anteriores que você já recebeu de fontes confiáveis sobre o andamento do seu pedido.
- Denuncie e apague a mensagem, evitando encaminhar para outras pessoas sem aviso.
Se você tiver dúvida sobre a real situação processual da sua marca, o caminho mais seguro é sempre entrar diretamente no sistema oficial ou consultar quem está cuidando do processo, e não responder ao e-mail recebido.
Diferença entre uma oposição real e um golpe
É importante não confundir as coisas: oposições de marca existem de verdade e fazem parte do processo normal no INPI. Qualquer empresa ou pessoa pode contestar um pedido de registro dentro do prazo estabelecido, alegando conflito com uma marca já existente.
A diferença é que esse tipo de movimentação processual real:
| Característica | Processo real | Golpe por e-mail |
|---|---|---|
| Onde é publicado | Revista da Propriedade Industrial (RPI) | Apenas na caixa de e-mail |
| Forma de pagamento | Guias oficiais emitidas pelo próprio sistema | Boletos ou PIX anexados no e-mail |
| Prazo | Contado em dias, conforme legislação | Urgência de horas |
| Linguagem | Técnica e padronizada | Alarmista, com erros |
| Link de acesso | Sistema oficial do governo | Páginas clonadas |
Se você foi realmente notificado de uma oposição, o procedimento correto envolve analisar os fundamentos apresentados e preparar uma resposta dentro do prazo — e esse processo já foi detalhado em outro conteúdo sobre como responder a uma oposição no registro de marca.
Golpes por e-mail fazem parte de um padrão maior
Esse esquema específico usando a palavra "contestação" não é um caso isolado. Ele se encaixa numa onda mais ampla de fraudes que exploram o nome do INPI para enganar empresários, incluindo:
- Boletos falsos cobrando taxas inexistentes, tema já detalhado no artigo sobre o golpe do boleto falso do INPI.
- Mensagens fraudulentas enviadas por WhatsApp, que seguem lógica parecida à do e-mail, como mostrado em como identificar a fraude do INPI no WhatsApp.
- Cobranças recorrentes disfarçadas de "renovação urgente" ou "regularização cadastral".
O órgão já vem endurecendo a punição para quem aplica esses golpes, incluindo multas pesadas para fraudadores identificados, conforme mostrado no conteúdo sobre como o INPI pune golpistas com multas de até R$ 60 milhões. Ainda assim, a melhor defesa continua sendo a desconfiança automática diante de qualquer cobrança ou aviso urgente recebido fora dos canais oficiais.
Como reduzir o risco de cair nesse tipo de golpe
Algumas práticas simples ajudam a blindar sua empresa contra esse e outros golpes parecidos:
- Cadastre um único e-mail responsável por acompanhar processos relacionados à marca, e treine quem tem acesso a ele para desconfiar de mensagens urgentes.
- Sempre que possível, acompanhe o processo diretamente pelo sistema oficial em vez de esperar avisos por e-mail.
- Desconfie de qualquer comunicação que combine urgência com pedido de pagamento.
- Em caso de dúvida, pesquise o número do processo antes de tomar qualquer decisão baseada no conteúdo da mensagem.
- Compartilhe esse tipo de alerta com sócios, contadores e funcionários que também lidam com e-mails da empresa.
Empresas que já passaram pelo processo de registro tendem a reconhecer mais rápido esse tipo de fraude, mas quem está registrando a marca pela primeira vez costuma ser o alvo mais vulnerável — justamente por não conhecer ainda como funciona a comunicação oficial do órgão.
Vale a pena confirmar sempre, mesmo que pareça exagero
Diante de qualquer e-mail alegando problemas com sua marca, o tempo gasto conferindo a informação diretamente na fonte oficial é sempre menor do que o prejuízo de cair em um golpe. Não existe custo em checar; existe custo em ignorar o risco.
Se restar qualquer dúvida sobre a autenticidade de uma mensagem, o mais seguro é tratar a comunicação como suspeita até prova em contrário, e buscar confirmação por canais que você já conhece e confia — nunca pelos links ou telefones fornecidos no próprio e-mail duvidoso.
Conclusão
Receber um e-mail dizendo que sua marca "está sendo contestada" pode gerar pânico, mas na maioria das vezes é apenas uma tentativa de golpe explorando o desconhecimento sobre como o INPI realmente se comunica. Fique atento ao remetente, aos links, ao tom de urgência e à forma de pagamento solicitada. Em caso de dúvida, confirme sempre diretamente nos canais oficiais do governo antes de clicar, pagar ou informar qualquer dado. Esse cuidado simples é o que separa uma empresa protegida de um empresário que perdeu dinheiro por confiar na mensagem errada.

